Tuesday, October 14, 2008

Rua 1º de Dezembro

À hora X, no café Portugal
À mesa Z, é sempre a mesma cena:
Uma toupeira ergue a mãozinha e acena…
Dois pica-paus querelam, muito entusiasmados:
Que a dita dura dura que não dura
A dita, dita dura dura desdita!
Um pássaro canta diz isto assim é pena
E um senhor avestruz engole ovos estrelados.

 Mário Cesariny

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Olhos Negros

Por teus olhos negros, negros,
Trago eu negro o coração,
De tanto pedir-lhe amores…
E eles a dizer que não.

E mais não quero outros olhos,
Negros,negros como são;
Que os azuis dão muita esp’rança.
Mas fiar-me eu neles, não.

Só negros, os quero:
Que, em lhes chegando a paixão,
Se um dia disserem sim…
Nunca mais dizem que não.

Almeida Garrett

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Tuesday, October 7, 2008

Adeus

Amor,
quando você estiver lendo
esta mensagem,
eu já terei seguido viagem.
Parto com passagem só de ida,
levando comigo
todos os sonhos de uma vida.
Na bagagem,
as esperanças de um dia
seguem numa mala,
hoje, quase vazia.
Nos bolsos,
apenas um lenço
para as vezes
que em você eu penso,
com os olhos marejados.
Sabíamos
que esse momento chegaria
e que o mais correto seria
eu mesma partir.
Assim como cheguei…
do nada…
sem ter para onde ir,
assim…sem nada…
eu vou sair.
Quanto às velhas esperanças,
estou levando nesta mudança
para atirá-las ao sabor do vento,
junto aos meus sentimentos.
Não vou olhar para trás,
posso não ser capaz
de seguir em frente
e, num repente, querer voltar.
Não quero parar na estrada
e de arrependimento chorar
por não ter tentado ficar.
Estou seguindo sem rumo.
Devagar eu me acostumo.
Mas, se o imprevisto surgir
e eu me sentir
demasiadamente só,
suplicarei a Deus 
que piedosamente…
devolva-me ao pó.

Poema de Silvia Munhoz

Posted by sandra at 17:28:21 | Permalink | Comments (1) »

Poema

Tenho medo de dizer
quem tu és.
Não sei se é para nos proteger
Ou por seres quem és.

Estás no meu pensamento,
e no meu coração.
Não és uma atracção de momento,
és mesmo a minha paixão.

Estou longe de ti,
tu em Milão
e eu aqui.
Vou pedir ao meu coração
para fazer uma hiperligação.

Posted by sandra at 17:19:22 | Permalink | No Comments »

Poema

Teu sorriso
faz meu rosto brilhar.
Teu rosto
 meu coração saltitar.
És a razão do meu viver
Contigo minha vida quero passar-
E mesmo sem te ver
Amar-te-ei até morrer.

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Friday, May 23, 2008

Quadras de Fernando Pessoa

 Quadra 8

 Dias são dias, e noites
 São noites e não dormi
 Os dias a não te ver
 As noites pensando em ti.

 Quadra 194
 
 Que tenho o coraçao preto
 Dizes tu, e inda te alegras
 Eu bem sei que o tenho preto:
 Está preto de nódoas negras

 Quadra 218

 Eu não sei senão amar-te
 Nasci para te querer
 Ó quem me dera beijar-te
 E beijar-te até morrer

 Escolhi estas quadras porque gosto dos poemas de Fernando Pessoa e porque as achei muito bonitas. Retirei-as do livro “Quadras de Fernando Pessoa” já o li e aconselho-o.

Posted by sandra at 11:24:55 | Permalink | No Comments »

Thursday, April 17, 2008

Ler um livro é como fazer uma viagem e visitar novos mundos.
Posted by sandra at 12:38:55 | Permalink | No Comments »

Thursday, March 13, 2008

Semana da Leitura

Quadras de Fernando Pessoa

Quando tive a bebedeira                           
Em que te tentei beijar
Eu tinha a verdade inteira
Mas só de o nem desejar.

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Friday, March 7, 2008

Semana da leitura

A Pura Face

 

 

Como encontrar-te depois de te ter perdido

Uma por uma as tardes que encontrei

Ó ser de todo o ser de quem nem sei

Se podes ser ao menos pressentido?

 

Não te busquei no reino prometido

Da terra nem na paixão com que eu a amei

E porque não és tempo não te dei

Meu desejo pelas horas consumido.

 

Apenas imagino que me espera

No infinito silêncio a pura face

Pr’além de vida morte ou Primavera

E que a verei de frente e sem disfarce

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Thursday, February 21, 2008

escrita colaborativa

Alguns dias depois, a onça e a raposa voltaram a encontrar-se e começaram a discutir. A onça insistia que o ovo era do galo, mas a raposa não concordava. Deixaram de se falar durante alguns dias. Quando se voltaram a encontrar decidiram que iam falar com todos os animais e eles é que iam decidir de quem era o ovo. Quando chegou o dia dos animais se encontrarem a raposa levou a galinha e ovo e a onça levou o galo. Todos os animais votaram. Após a votação o mocho fez a contagem dos votos e pediu para que todos fizessem silêncio. Disse, então, o Mocho:
 - Acabei agora de contar os votos e verifiquei que a maioria dos votos foram para … 
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